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sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Sonho..... x?

São 4:15 da manhã e acabei de acordar de um sonho dentro de um sonho.
Sei que por algum motivo estava tentando lembrar da minha infância. Da casa em que morava, do carro azul de meus avós... Vinham apenas relances na minha mente. Então adormecia.
Voltava para a velha casa, a salinha abarrotada de fotos e memórias, meu quarto (estranho, eu acho que tinha uma menina nele. Sei que ela era minha amiga, e estava quase sempre presente lá, mas não nos falamos sequer uma vez em todo o sonho.), e o quarto de minha irmã... é... eu tinha uma irmã que havia morrido algum tempo antes e era uma das coisas que eu mais buscava resgatar em minha memória. Então a via... linda como sempre... era quase uma miniatura daquela atriz que faz Doralice, de Cordel Encantado... não lembro se estava feliz, mas acho que falava comigo normalmente... éramos muito pequenas ainda..
Nisso, apareceu um homem (jovem, e diga-se de passagem suuuper gato!) dizendo que essa era a última chance que eu tinha de acertar as coisas com minha irmã e que a aproveitasse. Então de repente estávamos na sala e ela, já mais velha, pegava algo.. não sei se eram livros, ou álbuns, sei que tinha uma pilha deles em sua frente e ela pegava um por um, olhava a capa e botava de lado, com ar entediado. Soube então que tinha começado a fase difícil: ela era revoltada com tudo, não queria fazer programas em família... (creio até que na cena meus pais a convidavam pra sair pra jantar ou algo assim, e ela recusava) e, acima de tudo, aparentemente me odiava... ou desprezava, ou qualquer coisa do gênero.
Depois, estava com meus pais, na rua, e fazíamos compras... eles me davam roupas, acessórios... e todo mundo dizia que eu era bonita. Então ao chegar em casa, algo me atingiu como um raio... é como se de repente tudo fizesse sentido. Minha irmã olhava-se no espelho e, não sei como, eu sabia que ela pensava que queria ser como eu; tinha inveja de mim. Apesar de ela ser mais velha, eu tinha me desenvolvido mais rapidamente.. meu corpo era mais adulto, e ela magrinha, quase sem peito... na verdade, não tenho certeza se no sonho eu já tinha peito ou usava enchimento... acho que os dois (tinha e usava enchimento para parecer que era mais..). Sem contar que aparentemente, por algum motivo, as pessoas me elogiavam mais, o que eu achava ridículo, já que minha irmã era linda e sempre havia sido modelo de beleza para mim... não queria que ela se sentisse assim...sei que vinha uma cena em que ela reclamava que meus pais gastavam demais comigo, comprando roupas etc, e depois ficavam sem dinheiro para as outras coisas...fiquei triste com isso... é claro que gostava de ganhar presentes, mas não queria prejudicar ninguém.
Me veio novamente a imagem do moço dizendo que era minha última chance de fazer a coisa certa, então fui na gaveta, peguei meu sutiã de enchimento, procurei feito louca uma blusa branca que sabia que ela adorava, e dei para ela. Ela ficou super feliz e me abraçou, e então minha consciência me disse que havíamos feito as pazes.
Depois disso, são apenas borrões: eu e meus avós em seu carro azul... eu tinha um irmão também, pequenininho, sei que ele tentava chamar atenção, então eu ficava um pouco com ele.. ele era tão lindinho, sei que o amava muito. Tinha alguma coisa com uma foto, que não consigo lembrar bem... e algumas cenas com meus pais... acho que um dia eu chegava tarde em casa e eles ficavam preocupados.
No final das contas, acordei (ainda dentro do sonho). Tentava reter as memórias sonhadas, mas algo me incomodava: quem era aquele homem? Ele ainda apareceu outras vezes no sonho, como se fosse alguém conhecido... estava sempre falando na minha irmã.... a chamava para sair.. por algum motivo, eu ficava morreeeendo de ciúmes (bom, provavelmente porque ele era muito fofo), mas não conseguia me lembrar dele.
Então apareceram ele, meus avós, e não tenho certeza se minha irmã também... e ele falou algo tipo "Então você não lembra de mim..." e puxou novamente uma cortina de passado.
Estávamos em casa, eu, minha irmã e meus pais, e ela ia viajar... a deixávamos no aeroporto. Meu coração doía com a lembrança de que esta seria a última vez que a veria. O cara queria viajar com ela, mas por algum motivo não podia. Então me pediu ajuda. Eu era criança ainda e estava com ciúmes, já que gostava muito dele, mas resolvi ajudá-lo. Montamos quase que um mutirão na escola e bolamos uma rampa, com trampolim.. uma engenharia super elaborada. Quando estava pronta, ele subiu correndo, pulou e saiu por um buraco que tinha no teto... o objetivo era chegar no avião que ela estava, que passaria ali por cima. Apareceu então um mapa, como aqueles mapas de tesouro, com uma seta de linhas pontilhadas, dizendo que ele havia alcançado seu destino. Caramba! Ele tinha feito tudo aquilo para assinar sua sentença de morte. E eu o ajudara nisso.
Mas foi aí que vieram memórias deles felizes, dançando em meu sonho, enquanto ele dizia que se não fosse este avião, eles nunca teriam se aproximado e que era grato por eu tê-lo ajudado... que eu o havia dado uma segunda chance de conquistá-la e agora eles estavam felizes, juntos.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Sonho III

Esta semana sonhei com meu namorado.
Lembro que eu era psicótica ou algo assim... via coisas que ninguém mais via e vivia num mundinho paralelo que só eu conhecia. Por isso, fui internada num hospício.
Sei que meu irmão estava lá também. Tenho bem nítida a imagem dele pequenininho, no seu mundinho, como aqueles garotos autistas que a gente vê nos filmes, sem contato nenhum com as pessoas ao redor, apenas se balançando para a frente e para trás no chão de um corredor (nem sei se são os autistas que fazem isso, mas foi a imagem que eu associei...). Queria protegê-lo; ele não deveria ter de passar por isso. Mas naquele momento, eu mal conseguia tomar conta de mim mesma.
Não sei exatamente como, mas alguns pacientes descobriram que estávamos sendo drogados pelo pessoal do hospício; que na verdade muito do que a gente via estava sendo induzido. Então começaram uma rebelião e lembro-me de um exército de crianças revolucionárias que buscavam sua liberdade.
Mas isso eram apenas flashes. Era difícil me manter no mundo real tempo o suficiente para me ligar nisso tudo. E todos os meus amigos e parentes tinham me abandonado. Ninguém me visitava, diziam que eu era louca.
Menos meu namorado. Sei que ele foi me ver; queria ficar comigo e me apoiar nesse momento difícil. Eu disse que não era justo com ele, que ele merecia alguém que pudesse ver o mundo como era, e eu não podia. Mas ele respondeu que isso não importava, que ficaria comigo de qualquer forma, porque me amava. Então me pediu que ficasse com ele, nem que fosse só por um momento, que me livrasse de todas as fantasias e ficasse com ele um pouco. Disse isso enquanto me abraçava, e percebi que quando ele estava comigo era a hora em que eu mais via a realidade, que eu era capaz de me livrar de todo o meu mundo paralelo para ficar com ele, ali, abraçadinha. Sabia que enquanto ele estivesse do meu lado, eu seria forte o suficiente para lutar.

sexta-feira, 19 de março de 2010

Sonho II

Sonhei que eu era mais nova; devia ter uns 13 ou 14 anos... por algum motivo, estava na escola de noite, com minhas amigas. Fomos ao banheiro, e lembro-me de encontrarmos um laptop, embaixo de umas pedras do piso ou algo assim, como naqueles filmes que as pessoas escondem coisas sob o chão. Abrimos, mas ele pedia uma senha. Ninguém sabia qual era.
Depois daquele dia, voltava frequentemente, procurando uma forma de acessar os dados daquele computador. Então percebi que junto a ele havia uma foto: um menino e uma menina, mais ou menos da minha idade, sorrindo felizes. Atrás tinha escrito: "Sinto sua falta, Marcella" Pressionei o botão de ligar, digitei o nome e teclei 'enter'.
Meu coração batia acelerado quando apareceu um arquivo de texto, que comecei a ler, curiosa. Era uma história bonita, apesar de triste: um menino que era apaixonado por sua melhor amiga. Falava dela com um carinho que me impressionou. No momento em que eles se beijavam numa festa e trocavam declarações de amor, como num filme, ouvi uma voz:
-Não consegui escrever o final.
Virei-me devagar, assustada, e dei de cara com o garoto da foto. Mas o sorriso havia desaparecido, e ele parecia meio... fantasmagórico. E triste, acima de tudo triste. Olhei intrigada enquanto ele se apresentava, sem jeito: "Ah, oi, eu sou o Gabriel". Ele estendeu a mão para me cumprimentar, mas eu apenas continuem encarando-o.
-Desculpa aparecer assim... é que você é a primeira pessoa a ler isso...
-Você que escreveu?
-É. É a minha história.
-E como termina?
-Ela casada com outro e eu aqui, remoendo essa história.
-Casada...? - murmurei.
-É. Olha... por favor, não se assuste, mas o que você leu... já faz uns vinte anos. Eu morri num acidente de carro logo depois dessa festa. No começo, ela sofreu muito, mas depois acabou seguindo em frente, casou com outro, teve filhos. Depois eles começaram a brigar, e doía muito vê-la chorar. Foi então que eu vim parar aqui, e escrevi a nossa história. Tentei voltar no tempo, me apegar a um passado em que éramos felizes, em que podíamos contar um com o outro, imaginando como seria nossa vida se eu ainda estivesse vivo. Já perdi as contas de quantas vezes revivi minha última noite...
-Nossa, que triste...
-É...
Depois disso, comecei a visitá-lo, e começamos a conversar sobre várias coisas. Eu perguntava como era o mundo em sua época e ele se empolgava com as novidades da minha. Mas por mais que eu fizesse, e mesmo que ele se animasse às vezes, na maior parte do tempo ainda sofria por Marcella. Como eu era a única pessoa que o via, acabamos passando muito tempo juntos, e eu sempre o chamava quando ia fazer algo interessante, ou apenas para bater papo.
Então, depois de uma semana e provas na qual estava muito ocupada estudando, saí com minhas amigas e passei o dia sem procurá-lo. No dia seguinte, quando estava voltando da padaria, ele apareceu no meio da rua, chateado:
-Stella, por que você não falou comigo ontem?
-Ah, desculpa, é que passei o dia com minhas amigas...
-E agora, tá indo para onde?
-Para casa, vim só comprar o pão...
-Vamos fazer alguma coisa?
-Hm.. hoje não dá... fiquei de assistir um filme com meus pais.. que tal amanhã?
-Eu sabia! Você tá me evitando, tá me abandonando!!
-Hã?
-É... você quase não falou comigo a semana toda. Disse que ia estudar, tinha prova sexta, mas não me procurou ontem também...
-Porque, ao contrário de você, eu tenho uma vida! Eu preciso dividir meu tempo com outras pessoas, eu preciso estudar! Meu mundo não gira em torno de você!
-Mas eu preciso que gire!Você é a única amiga que eu tenho! A única que me vê! Seus pais e seus amigos tão vivos!! Todo mundo fala com eles!! Você é tudo o que eu tenho! Não pode me abandonar assim! eu não quero voltar a ser sozinho naquele banheiro estúpido com aquela história idiota!!
-Então por que você não morre de uma vez??!! - Gritei chateada.
Ele parou de repente e, como se fosse chorar, perguntou numa voz fraca:
-Como...? Então é isso mesmo que você quer...que eu suma?
-Olha... não é isso... é só que... você não é feliz aqui... você tá preso revivendo uma história que já acabou..por mais que você queira, não pode voltar atrás, sobreviver ao acidente... Talvez seja melhor seguir em frente... talvez a vida seja melhor no outro mundo...
-É... talvez eu devesse voltar a ficar sozinho no meu mundo... eu pensei que você entendesse, mas já que me acha tão idiota assim por ainda amá-la...
-Não é isso!!
Mas ele já havia desaparecido...
No dia seguinte, voltei ao banheiro, mas ele não atendeu ao meu chamado e a senha do laptop havia mudado. Acordei ainda procurando uma maneira de fazê-lo entender que eu queria o seu melhor.

segunda-feira, 15 de março de 2010

Sonho I

Oi, eu sou Stella. Se você já me viu na rua, com certeza pensou "ah, é só mais uma adolescente qualquer.". Talvez eu seja. É por isso que o que me traz aqui não é o que eu faço quando estou acordada, mas sim minha vida quando estou dormindo. Sei que muitas pessoas têm sonhos malucos, talvez até mais que os meus, mas gostaria de compartilhar um pouco dessa minha "vida inconsciente" com vocês.
Outro dia aconteceu algo muito interessante. Resolvi passar a tarde na biblioteca do meu colégio com a Ana, minha melhor amiga, estudando para as provas que seriam na semana seguinte. Sentamos e começamos por Física. Chegou uma hora em que o sono estava muito grande e parei, enquanto Ana tentava fazer uma questão. Observei seu esforço para juntar todas aquelas informações e encaixá-la nas fórmulas...
Foi então que, de repente, começou a sair algo de seus ouvidos. Aproximei-me um pouco e vi que aumentava. Era algo cinza e meio parecido com... fumaça? Ai meu Deus! Era fumaça!! Em pouco tempo, minha amiga estava envolta em uma nuvem cinza e sua cara era de extrema concentração enquanto ela continuava tentando resolver o problema. Ela nem ao menos viu que sua cabeça estava queimando por dentro de tanto esforço!
Fiquei observando a cena por alguns minutos, paralisada, até que ela olhou para mim e abriu a boca, como se fosse falar comigo. Mas ao invés de som, tudo o que saiu foi fumaça.
Antes que ela terminasse de tentar dizer meu nome, sua cabeça pegou fogo. Desesperada, olhei a minha volta procurando por ajuda. Comecei a gritar desesperada, mas ninguém me ouvia; as pessoas pareciam não ter a mínima noção do que estava acontecendo. Saí correndo para o banheiro, buscando água. A moça estava prestes a começar a faxina e tinha o balde quase cheio. Arranquei-o de suas mãos e corri para jogá-lo em minha amiga.
Finalmente o fogo se apagou. Estranhei como sua cara podia estar tão limpa depois disso tudo, e o único indício do ocorrido era um pequeno buraco na gola de sua farda, com margens acinzentadas. Ela, é claro, parecia não ter notado nada e simplesmente baixou a cabeça e voltou aos estudos. Frustrada, sentei-me em minha cadeira e observei sua blusa queimada.
Após alguns segundos, Ana pareceu voltar a si e olhou para mim, empurrando-me de leve: "Stella, acorda!" De repente o buraco sumiu e ela estava perfeitamente normal, contando-me que eu adormecera.

Os sonhos de Stella - apresentação

Estou criando agora a seção "Os sonhos de Stella". Nela, a personagem Stella, uma adolescente que acaba de entrar no 3º ano do Ensino Médio, conta seus sonhos (não os sonhos "planos, desejos", mas aqueles de quando a gente dorme.
Os sonhos relatados aqui são verídicos, meus ou de outros, e tentarei ao máximo manter-me fiel a eles. Espero que entendam que nem sempre será possível, devido ao fato de que às vezes não lembramos alguns pedaços. Além disso, alguns não são meus, e terão de haver algumas adaptações para a voz de minha narradora, Stella.
Espero que gostem.